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 <title>Rede Associativa - direitos humanos; política internacional; educação; liberdades</title>
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 <title>Revista “Science” denuncia existência duma lista negra de cientistas iraquianos a assassinar</title>
 <link>http://www.redeassociativa.org/comunicados/revista_science_denuncia_existencia_duma_lista_negra_de_cientistas_iraquianos_a_assassinar</link>
 <description>&lt;p&gt;No seu número de Julho&lt;br /&gt;
Revista “Science” denuncia existência duma lista negra de cientistas iraquianos a assassinar&lt;br /&gt;
Amplia-se a campanha para salvar intelectuais do Iraque&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tradução do artigo Richard Stone de 30 de Junho de 2006&lt;br /&gt;
Fonte: Science Magazine (nº312) | CEOSI (Espanha) | Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;    Se quiserem saber como a vida está difícil para os cientistas do Iraque, nos dias que correm, basta perguntar a Nazar Al-Anbaky. Na Primavera de 2005, um amigo próximo, o agrónomo Awad Esa, director-geral dos serviços de extensão do Ministério da Agricultura, foi morto a tiro por homens mascarados quando ia a sair do emprego. Outro colega, Rafid Abdel Alkarim, chefe dos serviços de protecção dos animais, fugiu do Iraque após ter sobrevivido a duas tentativas de assassinato. Perante as ameaças persistentes, no Outono passado o ministério dispersou o seu pessoal pela cidade de Bagdade. “Eu não conseguia trabalhar. O perigo estava por todo o lado”, diz Al-Anbaky, subchefe do departamento de investigação de protecção das plantas. Por isso, em Março, também ele se foi embora do Iraque. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há meses que os universitários iraquianos denunciam o que consideram ser uma inconfessada campanha para mutilar a elite intelectual do país (ver a Science de 30 de Setembro de 2005, pg.2156). Agora estão a enfrentar uma evidente nova ameaça. Um grupo não identificado está a fazer circular uma lista de 461 intelectuais iraquianos. A existência de folhetos que apelam ao assassinato dos indivíduos que estão na lista foi noticiada no mês passado pelo jornal Az-Zaman; a Science teve acesso a uma cópia dessa lista, cuja autenticidade foi verificada por vários cientistas iraquianos. Na semana passada, os reitores de seis universidades espanholas publicaram uma declaração que denuncia “um grave ataque contra o desenvolvimento cultural e científico” do Iraque e exige às autoridades que investiguem a “campanha de assassinatos”. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Assassinato de universitários iraquianos: O seu número tem aumentado constantemente desde a invasão de Abril de 2003&lt;br /&gt;
Para os cientistas iraquianos visados, essa lista só vem agravar uma situação já de si desesperada. Desde que a coligação liderada pelos EUA invadiu o país em Abril de 2003, pelo menos 188 universitários iraquianos foram chacinados, como se depreende duma declaração da Campanha Estatal contra a Ocupação e pela Soberania do Iraque (CEOSI), com sede em Madrid. Durante os últimos três anos foi aumentando a frequência dos assassinatos (ver gráfico). Durante esse período cerca de 220 médicos foram mortos e mais de 1000 deixaram o Iraque, segundo informou o ministro da Saúde em Fevereiro último. Centenas de cientistas fugiram do país. “Esta drenagem de massa cinzenta irá afectar muito o desenvolvimento do Iraque nos anos vindouros”, diz Jafar Jafar, chefe do programa nuclear do Iraque no tempo de Saddam Hussein. Jafar, director-geral da Uruk Engineering Services no Dubai, diz ter ajudado “muitos amigos e conhecidos” a encontrar empregos no estrangeiro. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os assassinos são mal conhecidos. Alguns dos crimes são sectários: milícias sunitas alvejam universitários xiitas, e vice-versa. Todavia, duma forma geral, os assassinatos “não obedecem a qualquer padrão religioso ou sectário”, afirma Ismail Jalili, cirurgião oftalmologista que apresentou uma análise em profundidade na conferência realizada em Madrid no mês de Abril. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nalguns casos, o móbil é o dinheiro. Uma vítima recente, Ali Hassan Mahawish, deão de Engenharia da Universidade de Al-Mustansiriya, em Bagdade, que havia contado à Science, em Setembro passado, que um grupo de professores do seu departamento tinha partido para o estrangeiro em férias sabáticas, provocando um vazio na faculdade. Foi raptado por homens armados em Março. “O resgate foi pago, mas a família recebeu de volta um cadáver”, diz-nos um colega dele, em Bagdade, que pediu o anonimato. O caso mais recente diz respeito ao cientista do petróleo Muthna Al-Badery, quadro superior do Ministério do Petróleo, que foi raptado no princípio de Junho. “Continuamos a negociar a vida dele”, disse aquele cientista de Bagdade. A lista dos alvos inclui cientistas, representantes universitários, engenheiros, médicos e jornalistas, em Bagdade e noutras cidades. “Essa lista faz parte duma campanha organizada, e apoiada pelo estrangeiro, para aterrorizar a massa cinzenta iraquiana”, disse ao Az-Zaman um representante da Associação dos Escritores Iraquianos. Nenhum dos contactos da Science sabe quem elaborou essa lista. Um cientista eminente, que tem laços com a comunidade de espionagem, disse que os agentes iraquianos andam a investigar alegações de envolvimento de agentes da secreta iraniana. A embaixada dos EUA, através do seu porta-voz Dennis Culkin, diz não ter conhecimento dessa lista. Mas uma coisa é certa: A campanha cobriu com uma mortalha toda a academia do Iraque. Como dizia um professor de engenharia que está a tentar sair de Bagdade: “Todos os dias, quando vamos trabalhar, levamos o nosso caixão connosco”. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O original deste artigo (em inglês) está em:&lt;br /&gt;
http://www.sciencemag.org/cgi/content/summary/312/5782/1857a &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As opiniões do autor deste artigo não coincidem forçosamente com as do TMI-AP. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tradução (do inglês): TMI-AP (JMB)&lt;/p&gt;
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 <category domain="http://www.redeassociativa.org/temas/ambiente">ambiente</category>
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 <pubDate>Mon, 10 Jul 2006 10:50:39 +0000</pubDate>
 <dc:creator>ACED</dc:creator>
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