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 <title>Rede Associativa - economia</title>
 <link>http://www.redeassociativa.org/taxonomy/term/84/0</link>
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 <title>Quercus avalia decisões do Conselho de Ministros na área do ambiente</title>
 <link>http://www.redeassociativa.org/comunicados/quercus_avalia_decisoes_do_conselho_de_ministros_na_area_do_ambiente</link>
 <description>&lt;p&gt;A reunião do Conselho de Ministro aprovou ontem, dia 8 de Junho, quinta-feira um conjunto de documentos centrais para o ambiente e o desenvolvimento sustentável em Portugal. Ainda que não esteja na posse de toda a informação, uma vez que não teve acesso aos conteúdos dos vários documentos aprovados, a Quercus – ANCN considera fundamental tecer alguns primeiros comentários tendo por base a informação constante do comunicado de imprensa relativo ao Conselho de Ministros de ontem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;!--break--&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h3&gt;1. Um desenvolvimento sustentável de Portugal subordinado à economia?&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;Finalmente, após um longo processo onde já foram elaboradas várias propostas de estratégias e de planos de implementação, surge para consulta pública um novo documento relativo à Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável para Portugal. É importante sublinhar que Portugal está atrasado mais de 4 anos nesta área, uma vez que existia o compromisso da União Europeia de garantir que todos os países possuíam uma estratégia desta natureza até à realização da Cimeira Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável que teve lugar em Joanesburgo, em 2002.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tendo por base uma versão deste documento que foi recentemente debatida num encontro promovido pelo Conselho Nacional de Ambiente de Desenvolvimento Sustentável, a Quercus pode adiantar que, muito embora reflicta o longo processo que a precede, o documento então analisado apontava para um claro protagonismo do pilar económico em detrimento do pilar social e, muito particularmente, do pilar ambiental. A ausência de uma clara definição de áreas prioritárias a investir parece ser outras das lacunas importantes patentes no documento ao qual a Quercus teve acesso, situação que se espera possa vir a ser alterada no âmbito do processo de consulta pública.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Quercus espera que seja promovida uma abordagem dinâmica e imaginativa no sentido de mobilizar os cidadãos, as instituições e empresas para um debate sério, consequente, inclusivo e responsável sobre o documento que se espera venha a ser o guia para as decisões futuras em Portugal. O facto do processo de consulta pública ocorrer no período estival e de férias, poderá ser mais um desafio a vencer.&lt;/p&gt;
&lt;h3&gt;2. Alteração ao regime jurídico da Reserva Ecológica Nacional sem discussão pública&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;Rever a Reserva Ecológica Nacional (REN) como instrumento relevante de ordenamento do território implicava fazer um trabalho de levantamento da forma de delimitação da REN em diferentes concelhos, identificar os conflitos e abrir um espaço à discussão pública para perspectivar soluções. O Governo decidiu legislar sem de forma aprofundada abordar estruturalmente o problema, limitando-se, bem ou mal (porque os pormenores ainda são escassos), a reagir à pressão (sem dúvida que por vezes justificada), da impossibilidade de ocupação das áreas de Reserva Ecológica Nacional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Várias indicações vão no mau sentido, tomando por exemplo o caso dos agricultores mencionados na explicação por parte do Governo, onde o facto de terem tal actividade como principal, justificará uma permissão para construção de habitação própria permanente em REN, o que no passado já demonstrou que tais regras são depois facilmente ultrapassáveis. Refere-se assim uma maior proporcionalidade entre os interesses privados de ocupação do território e o interesse público, tudo nos levando a crer que em muitos casos será mais uma cedência aos interesses privados em detrimento da preservação do bem público, com custos na gestão de recursos hídricos e paisagem, nomeadamente, aguardando-se agora a publicação do diploma para verificar os detalhes.&lt;/p&gt;
&lt;h3&gt;3. Regulamento Geral do Ruído - menos exigência para mais realismo, mas com muitos atrasos&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;O Regime Legal de Poluição Sonora em vigor desde 2001 tem revelado um enorme atraso na implementação (na elaboração de mapas de ruído e na consequente, se necessária, execução de planos para redução de ruído), bem como uma incapacidade de lidar com diversas situações como a proximidade de infraestruturas de transporte ou a impossibilidade de construção em zonas onde os limites legais estejam a ser ultrapassados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por outro lado, questões como a salvaguarda do sossego durante a noite nas imediações do aeroporto de Lisboa, cujo objectivo existia no diploma do ano 2000, têm sido completamente subvertidas, com vários voos a terem lugar entre as 0 e as 6 horas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A revisão agora feita, baixa o grau de exigência em relação a diversos aspectos que só uma leitura futura do diploma permitirá perceber, aproximando-se daquilo que é possível implementar, mas não garantindo o objectivo, talvez demasiado ambicioso, de salvaguarda dos níveis de protecção recomendados pela Organização Mundial de Saúde em determinadas áreas urbanas e/ou próximas de rodovias ou ferrovias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Simultaneamente um outro diploma traduz uma Directiva comunitária em atraso desde Fevereiro de 2006 e cuja aplicação pretende salvaguardar a saúde de trabalhadores em relação ao ruído, como sejam casos complicados de empregados em discotecas ou outros locais ruidosos.&lt;/p&gt;
&lt;h3&gt;4. Fundo de compensação destinado a suportar eventuais danos resultantes da contaminação provocada por variedades geneticamente modificadas – falham aspectos importantes&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;É importante começar por sublinhar que o facto de se ter que criar um fundo de compensação para eventuais danos provocados pela introdução de variedades geneticamente modificadas no ambiente, é uma demonstração clara da insustentabilidade desta tecnologia, cujos supostos objectivos de aumento de produção e melhoria do nível de vida dos agricultores ainda estão por comprovar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma vez que a Quercus não tem em sua posse qualquer outra informação para além da apresentada no comunicado de imprensa do Conselho de Ministros, parece-nos fundamental alertar para dois aspectos, deixando para mais tarde uma análise mais detalhada do documento aprovado:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao limitar a aplicação do fundo às sementes certificadas, o governo parece eliminar qualquer compensação a agricultores que usem variedades regionais/tradicionais, cuja contaminação representa o fim da linha para a biodiversidade portuguesa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um outro aspecto a reter prende-se com o formato do grupo de avaliação, onde quem produz e vende sementes transgénicas tem assento, mas de onde parecem estar excluídas quaisquer vozes críticas ou, mesmo, representantes dos cidadãos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para além de se tratar de uma tecnologia que está longe de merecer o consenso dos especialistas e de haver uma clara maioria da população europeia que se manifesta contra a introdução destas culturas transgénicas no ambiente e na cadeia alimentar, as autoridades insistem em procurar compensar, aparentemente através de dinheiros públicos, os malefícios que uma indústria de milhões poderá causar aos agricultores que defendem a biodiversidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lisboa, 9 de Junho de 2006&lt;/br&gt;&lt;br /&gt;
A Direcção Nacional da&lt;/br&gt;&lt;br /&gt;
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza&lt;/p&gt;
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 <comments>http://www.redeassociativa.org/comunicados/quercus_avalia_decisoes_do_conselho_de_ministros_na_area_do_ambiente#comment</comments>
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 <category domain="http://www.redeassociativa.org/temas/ambiente">ambiente</category>
 <category domain="http://www.redeassociativa.org/classificacao_tags/desenvolvimento_sustentavel">desenvolvimento sustentável</category>
 <category domain="http://www.redeassociativa.org/classificacao_tags/economia">economia</category>
 <pubDate>Mon, 12 Jun 2006 07:04:41 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Quercus</dc:creator>
 <guid isPermaLink="false">39 at http://www.redeassociativa.org</guid>
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