Queluz: Conjunto Urbano envolvente ao Palácio em risco de ser irremediavelmente descaracterizado

retrato de Olho Vivo

A Zona Especial de Protecção (Z.E.P.) do Palácio Nacional de Queluz foi uma das primeiras a ser criadas a nível nacional e abrange o enquadramento paisagístico e urbano da envolvente ao Palácio. Inclui o Conjunto Urbano entre o Monumento e a Estação de Caminhos de Ferro, a Matinha de Queluz (junto ao IC 19), a Ponte Pedrinha (Aqueduto) e a zona florestal da "Quinta Nova", abrangendo a unidade paisagística formada pelas várzeas do Rio Jamor e da Rib.ª de Carenque.

Dentro da Zona Especial de Protecção destaca-se o Conjunto Urbano entre o Palácio e os "Quatro Caminhos", no centro da Cidade (cruzamento entre a Av. da República e a R. Elias Garcia).

Este Conjunto Urbano organiza-se entre o Jardim Conde de Almeida Araújo - uma alameda que se desenvolve entre os dois eixos paralelos que ligam o Centro da Cidade ao Palácio Nacional e a Rua Dr. Manuel de Arriaga (que acompanha o Rio).

Trata-se de uma das áreas mais características da jovem Cidade, com importante função social e uma imagem urbana com forte identidade e desafogada que contrasta, pela positiva, com a densificação urbana e monotonia das zonas urbanas mais recentes de Queluz.

Ali se podem encontrar ainda as pequenas lojas de comércio tradicional, as sedes históricas dos principais clubes recreativos e desportivos da Cidade, restaurantes e espaços de animação, o primeiro Jardim de infância (estilo "Casa portuguesa") no Jardim Conde de Almeida Araújo, a Junta de Freguesia, a antiga moradia de Stuart Carvalhais (célebre caricaturista dos anos 30), uma Villa "operária" novecentista (o único edifício deste género no Concelho), modestas habitações populares do séc. XVIII, algumas das quais antigas residências de artistas que terão colaborado na execução do Palácio, entre muitos outros imóveis que justificam maior atenção e preservação.

Também as zona florestal e viveiros da "Quinta Nova" (situados por trás da Escola Secundária Pe. Alberto Neto) e a Matinha de Queluz aguardam os dias em que se cumprirá a promessa da sua valorização e abertura para o usufruto pela população - enquanto se vão degradando fruto do abandono a que tem sido votadas.

Olho Vivo – Terça, 2006 – 04 – 04 21:36