32 anos após o 25 de Abril é necessário continuar a lutar pela democracia em Portugal
32 anos atrás Portugal retornou a um sistema democrático, após décadas de ditadura. Um evento que hoje celebramos e que nos coloca em dívida para com muitos que lutaram por esta mudança. Portugal, após 32 anos de democracia, é hoje um país muito diferente e sem qualquer dúvida este foi um caminho que valeu a pena percorrer.
No entanto, 32 anos após o 25 de Abril, infelizmente, constatamos que a democracia está em perigo. Está em perigo porque muita da classe política que hoje nos governa, alguma responsável pela revolução de há trinta e dois anos, outra já de uma geração posterior a esta revolução, se acomodou, deixou de lutar por ideais e cada vez mais pensa em proteger os seus poleiros no poder e, mais do que os interesses de quem os elege, os seus próprios interesses. Hoje, em Portugal, para muitos dos que estão no poder, ser eleito ou ser nomeado para um cargo político, é, mais do que servir os portugueses, servir os seus próprios interesses.
Após 32 anos de democracia em Portugal, é chegada a altura de reflectirmos onde queremos chegar e se queremos esta democracia, ou uma democracia verdadeira onde não aconteçam coisas como estas:
- Cidadãos foragidos da justiça a ser eleitos autarcas;
- Governos que sabendo da corrupção que existe, protegem os corruptos substituindo penas de prisão por apenas suspensão de funções e criam instâncias especiais para o julgamento de titulares de órgãos de soberania;
- Governos que consideram que o cidadão comum pode estar sujeito a escutas telefónicas, mas que eles e os que estão próximos de si não o podem estar;
- Deputados que abusam do poder e confiança delegado neles pelos cidadãos e fazem pontes, não cumprindo as responsabilidades para as quais nós lhes pagamos;
- Alterações consecutivas às leis eleitorais e dos partidos, que têm vindo a dificultar a formação e entrada de novas forças políticas no sistema, impedindo a renovação deste, e propostas de alterações do sistema eleitoral que parecem visar o desaparecimento das forças políticas médias e pequenas, deixando o parlamento reduzido a dois partidos;
- Regras de financiamento das campanhas eleitorais que apenas financiam os partidos que já estão no poder, mantendo assim o status quo;
- Um sistema judicial lento e com a sua independência posta em causa cada vez mais pelo sistema político.
Estes não são sintomas de uma democracia saudável, mas sim de uma democracia que está em profunda crise, uma democracia que é cada vez menos digna da palavra democracia, e que necessita de ser repensada, não repensada no sentido de proteger os políticos e reduzir ainda mais a representatividade do nosso parlamento, mas exactamente no sentido contrário, dando poderes ao sistema judicial para controlar a corrupção de uma forma independente e aumentando a competitividade partidária, via uma maior proporcionalidade do sistema e o incentivo ao surgimento de novas forças políticas que tenham novas ideias para dar ao país e que façam oposição aquelas que ao fim de 32 anos de oligopólio, necessitam claramente de ter quem as desafie.
Os cidadãos de Portugal querem e merecem um Portugal mais democrático e mais livre!



